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Atualmente, a introdução de espécies marinhas é considerada
uma das grandes ameaças à integridade dos ecossistemas
oceânicos e costeiros, juntamente com a superexploração de
recursos, a poluição proveniente de fontes continentais e a
alteração e destruição física de habitats marinhos.
A dispersão de espécies marinhas pelos
oceanos ocorre por meios naturais, em geral em menor escala
espacial, onde os organismos podem ser carregados pelas correntes marinhas ou
fixos em materiais flutuantes, como troncos de árvores. Barreiras fisiológicas e geográficas, como
temperatura, salinidade e massas continentais, impedem que muitas espécies
se dispersem para certas áreas, resultando nos padrões
biogeográficos naturais observados nos oceanos e regiões
costeiras atualmente.
Contudo, as atividades humanas têm alterado
estes padrões, contribuindo para a eliminação ou redução das
barreiras naturais à dispersão. Ao longo dos últimos
séculos, milhares de espécies marinhas e estuarinas têm sido
dispersadas para longe de suas regiões de origem por
intermédio humano, intencional ou não.
Um dos mais importantes mecanismos de introdução
de espécies marinhas em novas áreas é a navegação,
considerada uma atividade muito antiga e que vem
transportando organismos incrustantes e perfuradores desde
muito antes da civilização egípcia. No início, os navios
eram constituídos de madeira e utilizavam lastro seco e
semi-seco que incluía areia, pedras, metais e detritos,
transportando, assim, comunidades de organismos fixos
incluindo cirripédios, hidrozoários, anêmonas, briozoários, esponjas,
tunicados e algas, além de organismos errantes associados,
como moluscos, isópodos, caranguejos, peixes, entre outros.
Devido ao fato de ser mais segura, econômica e
eficiente, a água substituiu os lastros secos e semi-secos
durante as primeiras décadas do século XX e, juntamente com
o desenvolvimento de navios maiores e mais velozes, o
mecanismo de introdução de espécies por água de lastro
tornou-se o mais importante e eficiente na homogeneização da
flora e fauna marinhas em todo o mundo. Os sedimentos
carregados em tanques de lastro podem conter várias formas
de vida, de diversas localidades de todo o mundo,
tornando-se um vetor a mais.
Atualmente o transporte marítimo internacional
corresponde a cerca de 80% do comércio mundial e estima-se
que cerca de 10 bilhões de toneladas de água de lastro sejam
transferidas anualmente, transportando, por dia, cerca de
3.000 espécies de plantas e animais em todo o mundo.
Espécies exóticas, alienígenas ou não nativas
são aquelas que ocorrem em uma área fora de seu limite
natural historicamente conhecido, como resultado de
dispersão acidental ou intencional por atividades humanas.
Comumente, a menos que uma espécie exótica tenha algum
impacto ecológico no ambiente ou cause mudanças drásticas na
composição das comunidades nativas, o processo de introdução
pode ocorrer sem detecção imediata.
A introdução e o assentamento de espécies
exóticas em um dado local estão associados a diversos
fatores, sendo as condições do ambiente invadido e as
características biológicas das espécies, como variabilidade
genética, tamanho corporal, abundância, tolerância
fisiológica e estratégias reprodutivas, os mais importantes.
A ausência de predadores, o número de indivíduos
introduzidos (já que afeta a chance de implantação de uma
população), a capacidade de adaptação às variações
ambientais, a competição com as espécies nativas, a
disponibilidade de alimento e o grau de perturbação do
ecossistema local também influenciam o processo.
Em geral, organismos originários de portos
tropicais não são capazes de sobreviver nem se reproduzir em
águas polares e temperadas, e vice-versa. Entretanto,
algumas espécies de invertebrados e algas possuem ampla
distribuição, ocorrendo naturalmente de regiões subpolares
até tropicais e, nesses casos, as chances de dispersão e
introdução dessas espécies em novas áreas são aumentadas.
Além disso, fatores biológicos e ecológicos podem
variar drasticamente entre as estações do ano ou de um ano
para outro, resultando em maiores chances de estabelecimento
para espécies que não obtiveram sucesso anteriormente.
Uma espécie exótica introduzida se torna
invasora quando estabelece uma população reprodutiva na
região invadida. A maioria das espécies exóticas
introduzidas não é invasora, embora uma espécie possa
tornar-se invasora em algumas regiões e em outras, não.
Devido às vantagens competitivas em relação às espécies
residentes e à ausência de predadores, as espécies invasoras
conseguem dominar os nichos ocupados pelos organismos
nativos, especialmente em ambientes frágeis e degradados.
Em virtude da agressividade e da capacidade de
excluir espécies nativas, as espécies invasoras podem
alterar profundamente a estrutura e composição das
populações e comunidades locais, homogeneizando os
ambientes, destruindo as características biológicas
peculiares da área, aumentando a vulnerabilidade do
ecossistema e promovendo, assim, perda de biodiversidade,
que pode ser ainda mais acentuada quando atinge espécies
endêmicas.
Dentre os processos causadores da diminuição da
biodiversidade estão hibridização, exclusão competitiva de
espécies nativas, alteração de níveis tróficos, predação de
espécies naturais e introdução de substâncias tóxicas ou
doenças que afetam os organismos locais.
Os impactos
gerados por espécies invasoras também são
econômicos, uma vez que os prejuízos causados para a indústria da pesca
e populações tradicionais, hidrelétricas e diversas
atividades comerciais podem exigir medidas mitigadoras de
alto custo. Segundo dados do Programa GloBallast, os gastos
relacionados ao problema chegam a 138 bilhões de dólares por
ano, somente nos Estados Unidos.
Os impactos que uma espécie exótica introduzida
terá no novo ambiente são imprevisíveis. Mesmo espécies que
não afetam seus locais de origem podem ter efeitos
desastrosos quando invadem novas áreas. Sendo assim, não é
possível identificar regiões onde a prevenção contra
introduções, o controle e fiscalização de embarcações e
atividades comerciais relacionadas e o manejo adequado de
espécies exóticas já introduzidas não sejam necessários.
A deficiência dos levantamentos faunísticos,
florísticos e de monitoramentos adequados, além da ausência
de estudos históricos em muitos países, principalmente os
subdesenvolvidos, agravam a identificação de espécies não
nativas em uma região. Este fato pode dificultar a comparação com
levantamentos atuais dos organismos e impedir a avaliação
objetiva do processo de invasões biológicas.
Referências
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Água de Lastro e Bioinvasão, pp 1-10. Editora Interciência,
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http://www.marine.csiro.au/crimp
http://globallast.imo.org
última atualização: setembro/2005 |