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O lastro consiste em qualquer material usado para dar peso
e/ou manter a estabilidade de um objeto. Os navios utilizam
atualmente água nos tanques de lastro para manter a
estabilidade, segurança e eficiência operacional,
especialmente quando o navio não está carregado.
A grande maioria das espécies marinhas possui um
ciclo de vida que inclui um ou mais estágios planctônicos e
o maior problema com relação à água de lastro refere-se ao
transporte de ovos, cistos e larvas de organismos maiores,
juntamente com bactérias, espécies planctônicas e pequenos
invertebrados que são carregados com a água do local onde os
navios enchem os tanques de lastro após o descarregamento.
Estes organismos são liberados com a água em outros portos,
quando o navio é novamente carregado com mercadorias.
O plâncton existente na água carregada para os
tanques inclui tanto organismos holoplanctônicos, os quais
passam todo seu ciclo de vida na coluna d’água, quanto
meroplanctônicos, os quais permanecem na coluna d’água
somente parte de seus ciclos de vida. Isto significa que até
mesmo adultos de espécies de substratos consolidados ou que
não são bombeados devido ao maior tamanho podem ser
transferidos para a água de lastro em suas formas
planctônicas.
A grande maioria das espécies marinhas
carregadas na água de lastro não sobrevive à jornada, uma
vez que o ambiente dentro dos tanques de lastro pode ser
inóspito aos organismos. Mesmo para aqueles que sobrevivem e
são descarregados, as chances de sobrevivência nas novas
condições ambientais são muito reduzidas, devido à predação
e/ou competição com as espécies nativas por alimento e
espaço e às próprias características físicas e químicas do
ambiente.
Entretanto, quando todos os fatores são
favoráveis, uma espécie exótica introduzida pode estabelecer
uma população viável no ambiente invadido e tornar-se
invasora, ou seja, podem ser capazes de adaptar-se e
reproduzir-se a ponto de ocupar o espaço de organismos
residentes, tendendo à dominância.
O registro de uma espécie exótica em um novo
ambiente não significa necessariamente que tenha ocorrido
seu estabelecimento, ou seja, que os indivíduos dessa
espécie sobrevivam a ponto de constituir uma população. O
sucesso da colonização de uma nova região por uma espécie
trazida na água de lastro de um navio pode depender do ponto
de descarga dessa água. Portos situados em áreas protegidas,
como baías e estuários, são mais suscetíveis ao processo.
O risco de uma introdução transformar-se em
colonização aumenta muito se os portos de carga ou descarga
(ou de coleta e descarte da água de lastro) forem
ecologicamente semelhantes. Modificações ou degradações
ambientais também favorecem a sobrevivência e a permanência
das espécies introduzidas, criando novas oportunidades para
seu estabelecimento.
Exemplos de introduções mundiais por meio de
água de lastro bem sucedidas incluem o mexilhão zebra
Dreissena polymorpha, nativo da Europa, que invadiu os
Grandes Lagos ao norte dos Estados Unidos, provocando gastos
de milhões de dólares por ano para seu controle, a
estrela-do-mar Asterias amurensis, espécie predadora
natural da China e do Japão e introduzida na Nova Zelândia,
causando grandes impactos nas populações nativas, a bactéria
Vibrio cholerae, causadora da cólera e o
dinoflagelado tóxico Gymnodinium catenatum, oriundo
do Japão e introduzido na Austrália, prejudicando a pesca e
aqüicultura industrial.
No Brasil, a divulgação dos problemas associados
à água de lastro era escassa até pouco tempo atrás onde,
esporadicamente, surgiam relatos a respeito de espécies
exóticas introduzidas em águas brasileiras. A invasão via
água de lastro mais conhecida refere-se ao molusco bivalve
de água doce e salobra,
Limnoperna fortunei, originário dos rios asiáticos,
em especial da China. O mexilhão provoca redução de diâmetro
e obstrução de tubulações das companhias de abastecimento de
água e entupimento de turbinas em hidrelétricas. Os
prejuízos causados por essa introdução são enormes,
demandando manutenções freqüentes com custos
extraordinários, além de afetar a pesca de populações
tradicionais e prejudicar o sistema de refrigeração e
motores de pequenas embarcações.
Referências
Carlton JT and Geller JB (1993) Ecological
roulette: the global transport of nonindigenous marine
organisms.
Science 261: 78-82
Silva JSV, Fernandes FC, Larsen KTS and Souza
RCCL (2002) Água de lastro ameaça aos ecossistemas. Ciência
Hoje 32(188): 38-43
http://mma.gov.br/aguadelastro
http://www.marine.csiro.au/crimp
http://www.marine.csiro.au/crimp/nimpis
http://imo.org
http://globallast.imo.org
última atualização: setembro/2005 |