No Brasil, as informações relacionadas à introdução de espécies exóticas terrestres, marinhas e de água doce são escassas. Atualmente, o Ministério do Meio Ambiente, por meio da Diretoria do Programa Nacional de Conservação da biodiversidade, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, está iniciando um programa voltado às espécies exóticas invasoras, cujas ações envolvem diversas, entre elas:

1) atividades relativas à identificação e localização das principais espécies problemas no país;

2) avaliação dos impactos ambientais e sócio-econômicos causados por estas espécies;

3) levantamento dos projetos já realizados ou em andamento, em âmbito nacional;

4) criação de mecanismos de controle, monitoramento, mitigação, prevenção e erradicação, inclusive com vistas a minimizar as introduções acidentais;

5) definição de estratégias para ampliação das discussões sobre o tema;

6) estabelecimento de prioridades para o período de 2005 a 2010;

7) levantamento da legislação nacional sobre espécies exóticas invasoras, e proposição de revisão, se for o caso, ou elaboração de legislação específica; 

8) organização de uma efetiva parceria entre os setores governamental, não-governamental, acadêmico-científico e iniciativa privada.

            O desenvolvimento deste programa proporcionará melhor uso das informações existentes, repartição de conhecimento e habilidades e avanço sistemático de novas técnicas, facilitando ainda a capacitação dos órgãos governamentais federais, estaduais e municipais e o controle e monitoramento mais efetivo dos impactos causados por espécies exóticas invasoras.

            Com relação ao ambiente marinho, o país tem desenvolvido práticas de manejo costeiro em nível nacional desde 1988, quando da adoção de uma lei que criava o Plano Nacional de Manejo Costeiro como parte da Política Nacional de Recursos Marinhos e a Política Nacional de Meio Ambiente, além de criar também o Conselho Nacional para o Meio Ambiente (CONAMA).

            A proteção do ecossistema marinho é responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, Ministério dos Transportes, Turismo e da Marinha do Brasil. O Ministério do Meio Ambiente é responsável pela facilitação do processo de manejo integrado costeiro e marinho, que inclui biodiversidade e impacto de organismos aquáticos transportados por água de lastro. O Ministério da Saúde também está envolvido neste processo, realizando o serviço de inspeção sanitária, responsável pelo controle preliminar de doenças nos navios.

            O Relatório de Água de Lastro, criado em 2000 pela aprovação da NORMAM 08, é feito pelos navios e entregue à Agência em que o porto em questão estiver subordinado. Estes Relatórios serão de grande valia em levantamentos sobre qualidade, quantidade, procedência e locais de descarga da água de lastro no Brasil, além de ajudar no desenvolvimento de programas de monitoramento marinho.

            A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), desde 2001, é responsável pela inspeção da água de lastro. A Agência requer que os navios, nacionais ou internacionais, preencham o Formulário para Informações sobre Água de Lastro (baseado no formulário de Diretrizes da IMO) e os entregue à autoridade sanitária do Porto de Controle Sanitário, antes da entrada nos portos, exigindo ainda que os navios que captaram água de lastro em áreas consideradas de risco à saúde pública e ao meio ambiente sejam inspecionados. A ANVISA é responsável também pela centralização e análise desses formulários.

            O Brasil é o único membro do Programa GloBallast da América Latina e, desse modo, tem como responsabilidade alertar e incentivar os países latinos, na tentativa de formar parcerias no combate à introdução de espécies exóticas.

  


Referências

McConnell M (2002) GloBallast Legislative Review – Final Report. GloBallast Monograph Series n° 1. IMO, Londres

Silva JSV, Fernandes FC, Souza RCCL, Larsen KTS and Danelon OM (2004) Água de Lastro e Bioinvasão. In: Água de Lastro e Bioinvasão, pp 1-10. Editora Interciência. Rio de Janeiro, RJ

http://www.mma.gov.br/invasoras

http://www.mma.gov.br/aguadelastro




 

última atualização: setembro/2005


























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