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Devido ao fato de que a esterilização total da água de
lastro pode não ser economicamente viável e de não haver um
método capaz de tratá-la com 100% de eficiência, o
desenvolvimento de sistemas de gestão e controle que possam
reduzir as chances de introduções indesejáveis são
extremamente necessários.
Os métodos desenvolvidos atualmente para a troca
da água de lastro dos navios em alto-mar incluem:
(a) Troca de lastro em alto mar
Considerado o método mais efetivo na prevenção de
introduções biológicas, consiste na troca do lastro dos
navios a uma profundidade superior a 500 metros. Entretanto,
dependendo do tipo de navio, das condições do tempo e da
carga carregada, esta atividade pode não ser segura.
(b) Método Seqüencial
Trata-se de operações em seqüência do deslastreamento
total do tanque e subseqüente lastreamento. Este método é
considerado o mais eficaz para a troca da água de lastro,
porém ele expõe o navio e sua tripulação a problemas de
segurança (stress excessivo, eventual falta de estabilidade
do navio, entre outros).
(c) Método de Transbordamento
Embora este método apresente menos problemas de
segurança que o Método seqüencial, é considerado menos
eficaz, pois os tanques de lastro podem ser expostos à
pressão excessiva durante o transbordamento, que ocorre
através do bombeamento da água durante certo tempo e fazendo
transbordar o excesso pela parte superior do navio. Além
disso, o Método de Transbordamento diminui a eficácia na
eliminação dos organismos, principalmente os que assentam no
fundo, podendo a tripulação entrar em contato com a água
contaminada no convés do navio (risco de doenças).
(d) Método do Fluxo Contínuo
Consiste na troca do lastro sem esvaziar os tanques,
enchendo-os ao mesmo tempo com água limpa numa quantidade
três vezes maior ao volume do tanque, mantendo, assim, a
estabilidade do navio. Mas, semelhante ao Método de
Transbordamento, a tripulação pode entrar em contato com a
água contaminada no convés do navio, aumentando risco de
doenças.
(e) Método Brasileiro de Diluição
O conceito básico deste método envolve o carregamento
da água de lastro (lastreamento) a partir do topo do tanque
e, simultaneamente, a descarga dessa água (deslastreamento)
no fundo do tanque, à mesma vazão, de tal forma que o nível
de água no tanque de lastro seja controlado para ser mantido
constante. Dessa forma, a remoção dos sedimentos do fundo
dos tanques é facilitada e o navio pode manter sua condição
de carregamento de lastro normal durante toda a viagem,
inclusive durante a troca da água.
O Método Brasileiro de Diluição apresenta as
seguintes vantagens em comparação com os outros métodos:
• mais eficiente do que o Método de Transbordamento e mais
viável de ser aplicado do que o Método Seqüencial;
• mantém constante o nível do tanque de lastro e inalterada
a condição de carregamento de lastro do navio durante a
viagem, evitando problemas de estabilidade e tensão;
• os membros da tripulação não são expostos a perigos devido
ao contacto com água contaminada no convés;
• flexível para a adoção complementar de diversos tipos de
tratamento de água;
• simples e econômico, em termos de construção de navios, e
prático para armadores e operadores de navios.
Diversos métodos de tratamento a bordo para a
água de lastro vêm sendo testados como alternativa ou em
conjunto com a troca em alto-mar. Entretanto, os navios
ainda precisam ser adequados para a maioria das técnicas.
Entre estas:
a) Filtração
Atualmente existem sistemas de filtração que
impedem a entrada de organismos maiores nos tanques de
lastro. No entanto, a grande quantidade de volume de água, o
alto fluxo e os depósitos de matéria orgânica sobre as telas
dos filtros são desafios no uso da filtragem, além da
necessidade de utilização de outras técnicas em conjunto
para solucionar problemas com transporte de bactérias e
vírus. Países como Austrália, Estados Unidos e Grã-Bretanha
têm trabalhado no intuito de desenvolver novas técnicas que
permitam o aperfeiçoamento do método de filtragem.
b) Ozonização
Atualmente este processo é utilizado no
tratamento de água potável e de água industrial, mas quando
utilizado em água salgada e salobra reage com o cloro da
água do mar e produz várias substâncias corrosivas, além de
várias conseqüências adversas para a saúde ocupacional de
quem lida com o sistema. É muito caro, o que pode
inviabilizar o processo.
c) Método de aquecimento
O aquecimento da água dos tanques de lastro é
efetivo e não libera sustâncias tóxicas para o meio
ambiente, podendo matar organismos indesejáveis, embora não
todos. Faltam estudos a respeito do nível de aquecimento
necessário para mortalidade de muitas espécies, além de seus
estágios císticos e larvais. É necessário, em vários casos,
a queima de combustível para aquecer as grandes quantidades
de água de lastro, não sendo considerado uma boa solução
ambiental.
d) Tratamento por desoxigenação
A falta de oxigênio causa a morte de vários
grupos de animais, como peixes, larvas de invertebrados e
bactérias aeróbicas, mas não é considerado eficaz no
tratamento de dinoflagelados, cistos, bactérias anaeróbicas
e vários organismos bentônicos.
e) Eletro-ionização
Esta técnica tem sido utilizada para tratamento
de água doce, e não existe ainda experiência para tratamento
de água salgada e salobra, embora alguns sistemas pilotos
estejam sendo desenvolvidos.
f) Supersaturação de gás
O sistema produz uma água de lastro com super
saturação de gás e promove uma posterior redução da pressão
com formação de bolhas, provocando efeitos de hemorragia e
embolia nos organismos, levando-os à morte. A eficiência do
processo varia conforme os grupos de organismos tratados,
não se aplicando em vírus, algas, bactérias, protozoários e
cistos de algas.
g) Tratamento com ultravioleta
É eficaz na eliminação de microorganismos, mas
não para organismos maiores, protozoários, fungos e algas,
sendo indicado o uso em conjunto com a filtração.
h) Choques elétricos
Este tipo de tratamento está sendo testado com
sucesso em laboratório, apesar das pesquisas nesta área
ainda não serem conclusivas.
i) Tratamento com cloro
Este tipo de tratamento tem eficiência
comprovada em água doce, é de fácil aplicação e manuseio,
baixo custo e capaz de tratar grandes volumes de água. O
método já é utilizado a bordo de navios, mas não para
tratamento nos tanques de lastro, embora alguns países, como
o Brasil, estejam adotando o uso de cloro no tratamento da
água de lastro. Estudos recentes demonstram que
concentrações elevadas de cloro podem levar a formação de
substâncias tóxicas. O dióxido de cloro parece ser o mais
indicado para o tratamento da água de lastro, pois é
eficiente em baixas concentrações e em qualquer pH.
Para que qualquer método possa ser utilizado precisa ser
seguro, prático, tecnicamente viável, de baixo custo e
ambientalmente aceitável. Os grandes volumes de água, as
altas taxas de fluxo, a diversidade de organismos e o tempo
curto de residência da água nos tanques consistem em um
grande desafio para a elaboração e aperfeiçoamento dos
métodos de tratamentos.
Referências
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sobre o Simpósio e o “Workshop” sobre tratamento de água de
lastro da Organização Marítima Internacional – IMO, Londres
Silva JSV, Fernandes FC, Larsen KTS and Souza
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Hoje 32(188): 38-43
Silva JSV and Fernandes FC (2004) Avaliação
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cloro. In: Água de Lastro e Bioinvasão, pp 21-31. Editora
Interciência, Rio de Janeiro, RJ
Silva JSV, Fernandes FC, Souza RCCL, Larsen
KTS and Danelon OM (2004) Água de Lastro e Bioinvasão. In:
Água de Lastro e Bioinvasão, pp 1-10. Editora Interciência,
Rio de Janeiro, RJ
Mauro CA, Land CG, Pimenta JMHA, Brandão MVL,
Tristão MLB, Barreto FCP, Marroig NL, Fadel ALF, Villasc MC,
Persich G, Fernandes L, Paranhos R, Dias C, Bonecker S,
Garcia V, Odebrecht C, Tenenbaum D (2002) O Método
Brasileiro para troca de água de lastro. Boletim técnico da
Petrobras 45 (3/4): 310-329
http://globallast.imo.org
http://imo.org
http://mma.gov.br
última atualização: setembro/2005 |