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Aquariofilia
A soltura acidental ou intencional de organismos
de aquário é um vetor significativo de entrada e dispersão
de espécies exóticas em um novo ambiente. Muitas espécies de
plantas aquáticas (marinhas ou de água doce) podem ser
compradas pela Internet e potencialmente importadas para um
país sem restrições de quarentena, podendo, quando liberadas
para o ambiente, causar severos impactos na comunidade
marinha da região.
Um exemplo é a introdução da alga Caulerpa
taxifolia, introduzida acidentalmente no Mar
Mediterrâneo, distribuída por barcos e navios e atualmente é
documentada na Espanha, Itália e no Mar Adriático. Esta alga
substituiu as algas nativas e teve sério impacto na
comunidade de peixes e invertebrados.
Desde 1980, a liberação de organismos a partir
de aquários foi o vetor de introdução de, no mínimo, sete
espécies de peixes exóticos nos Estados Unidos, e
acredita-se que mais de 27 espécies não nativas foram
liberadas pela indústria de peixes de aquário no país.
Abertura de Canais
Canais são construções de vias navegáveis
artificiais que têm promovido novos caminhos para espécies
aquáticas se dispersarem, tanto por meios naturais ou
associados com atividades de navegação ou pesca. A abertura
de canais permite movimentos migratórios que colocam biotas
isoladas há milhões de anos, em contato.
A abertura do Canal do Panamá permitiu que
muitas espécies oriundas do Oceano Pacífico fossem
encontradas atualmente no Golfo do México.
O Canal de Suez, aberto em meados do século XIX
permitiu que muitas espécies do Mar Vermelho fossem
introduzidas no Mar Mediterrâneo, e vice-versa. Atualmente,
um total de seis espécies de decápodes marinhos originários
do Indo-Pacífico foi introduzido no Brasil, provavelmente
via Canal de Suez. São elas
Charybdis hellerii, Metapenaeus monocerus,
Marsupenaeus japonicus, Penaeus monodon,
Fenneropenaeus penicillatus e Scylla serrata
(Tavares & Mendonça Jr., 2004).
Pesca e descarte de iscas vivas
O descarte de espécies marinhas utilizadas como
iscas vivas em operações de pesca comercial, esportiva e
recreacional pode contribuir para a introdução e
estabelecimento de espécies exóticas, uma vez que, liberadas
em grande número de indivíduos, as espécies podem
estabelecer populações viáveis nas regiões de descarte.
Escape Científico
Escape científico é a introdução de espécies
exóticas em uma nova região durante atividades de pesquisa
conduzidas por instituições de pesquisa ou de ensino.
Detritos plásticos flutuantes
Detritos flutuantes, como rochas vulcânicas e
madeira, sempre foram veículos de dispersão de vários
organismos marinhos, sendo considerados responsáveis pela
distribuição cosmopolita de muitas espécies.
Entretanto, a quantidade de detritos plásticos
encontrada hoje nos oceanos aumentou significativamente nas
últimas décadas. Devido ao fato dos detritos plásticos
durarem mais, serem mais persistentes e viajarem mais
lentamente, os organismos fixados podem ter maiores chances
de sobrevivência.
Segundo estimativas recentes, os detritos de
origem humana nos oceanos dobraram a propagação de fauna nas
regiões temperadas e a triplicou nas regiões de maior
latitude, aumentando as chances de invasões biológicas (Barnes,
2002).
Referências
Barnes DKA (2002) Invasions by marine life on
plastic debris.
Nature 416: 808-809
Tavares M, Mendonça Jr. JB (2004) Introdução
de Crustáceos Decápodes Exóticos no Brasil: uma Roleta
Ecológica. In: Água de Lastro e Bioinvasão, pp 59-76.
Editora Interciência, Rio de Janeiro, RJ
http://www.marine.csiro.au/crimp/nimpis
última atualização: setembro/2005 |